Aqui nesse espaço metafísico, tão irreal quanto à própria vida, regurgito em forma de palavras tudo que meus olhos comem e bebem do universo ao meu redor. Pensar pesa-me, por isso despejo aqui um pouco de minha Vaidade mascarada de Loucura. Minhas reflexões desconexas, minhas especulações surreais, minhas abstrações cotidianas, minhas elucubrações e devaneios, toda a minha mais vã filosofia...!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
A vida e feita de escolhas, umas são boas outras ruins, mas no fundo são todas sempre erradas.
Hoje ao acordar, trouxe comigo do mundo do sonhos um sentimento sem imagem, uma lembrança sem experiência, uma sensação clara sem um objeto definido. Um sentimento de prazer misturado a melancolia, um afago com gosto de abandono, uma espécie de presença ausente. Não me lembro bem, não saberia narrar, foge-me da memória. Mas sei que era ela, era a Bela, a parte de mim que me escapa, a metade que falta, a ausência que clama. Me vejo deitado em uma cama, ora sou criança e sinto Medo, ora sou adulto e sinto Angústia, não sei que frio me envolve e me penetra na alma, por debaixo da coberta, nas entranhas do Ser. Ela surge como um anjo, não sei de onde vem, brota silenciosa como uma flor de luz no meio da escuridão do meu quarto perdido. Seu rosto não conheço, seu nome me esqueci, mas seus olhos, que me fitam como uma benção, enchem-me de um doce calor maternal. É a musa pálida, divina e mórbida dos poemas de Álvares de Azevedo. Essa estética do romantismo maldito, da forma a meus sonhos e devaneios de Amor e Morte. Era ela, eu sei, mesmo sem saber, eu sei...
Todo homem carrega consigo uma dupla imagem de mulher. A Santa e a Puta, a Paz e o Desejo, opostos complementares, arquétipos que transpassam o tempo. O beijo na boca, como uma pétala que pousa por sobre os lábios, acalma e acalanta o coração. Os olhos que despertam e se deparam com a ilusão desfeita, deixam escapar uma leve lágrima que denuncia o desejo frio e o desalento invocados pelo sonho do impossível.
Uma casa pode ser analisada em seu espaço geométrico por um arquiteto, levando em consideração suas constituições físicas, mas também é possível analisar uma casa em seus valores oníricos, através das imagens poéticas que constituem o espaço poético. Nisso consiste a pesquisa fenomenológica de Gaston Bachelard. Ele se serve de imagens poéticas invocadas pela literatura, para sondar os valore de intimidade do espaço interior do ser humana. A fenomenologia de Bachelard voltasse para a imaginação, e busca nela a linguagem que identifica a casa onírica. Ele vê a casa como um corpo de imagens, que podem se afirmar e se negar, mas sempre remetem ao mais intimo do ser.
“Esses valores de abrigo são tão simples, tão profundamente arraigados no inconsciente, que vamos encontra-lo mais facilmente por uma simples evocação do que por uma discrição minuciosa. A nuança, então, exprime a cor. A palavra de um poeta, tocando o ponto exato, abala as camadas profundas do nosso ser”.(A Poética do Espsço, p.32)
O filosofo busca um sentido quase que metafísico para o verbo “habitar”. Afinal, a quanto nossa espécie habita esse pequeno planeta do sistema solar, e quantas formas diversas criamos para habita-lo, para criar no mundo hostil nosso lugar cativo, nosso cantinho? Na canção feita por Arnaldo Antunes e Marisa Monte, “Cantinho Escondido”, o lugar ao qual remete a letra, é um lugar no interior dos homens, nas lembranças imemoriais, nos sonhos, nos devaneios. Um lugar carregado de valores de intimidade e acolhimento.
“Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão”
Bachelard através da analise de uma percepção estética provocada por uma imagem poética, desenvolve seu pensamento ontológico sobre a morada humana, sobre o espaço da imaginação, que se desdobra tornando-se um cosmos intimo.
“Porque a casa é nosso canto no mundo. Ela é, como se diz amiúde, o nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. Um cosmos em toda a acepção do termo. Vista intimamente, a mais humilde moradia não é bela?” (Idem, p.24)
A casa é uma imagem que traz a integração, a centralização dos pensamentos, lembranças e sonhos dos seres humanos. Sem ela afirma o filosofo, seriamos seres dispersos. A casa, tem valor de proteção, abriga contra as tempestade do céu e da alma. Na letra da música citada, a casa é o cantinho escondido, escondido exatamente porque é dentro, o lugar importa menos do que o valor de intimidade dado ao lugar, que na verdade pode ser qualquer lugar. Por isso a casa onírica, o cantinho no mundo, nós carregamos sempre conosco, pois é nosso corpo e alma.
“Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir”
Aos poucos Bachelard vai desenhando, como um poeta-arquiteto, os espaços da casa onírica. Primeiro fala de sua verticalidade, dividindo-a em dois pólos opostos, o sótão e o porão. Um é a racionalidade e o outro a irracionalidade, um leva a pensamentos claros, o outro a lembras obscuras, fantasmas escondidos. Para subir e para descer a casa necessita-se de escadas. As que sempre sobem para o sótão podem levar as mais distante e tranqüila solidão. As escadas intermediárias são a área familiar, comum, conhecida, facilmente transitável. Já as escadas que sempre descem, levando ao porão, essas enterram em suas profundezas escuras angústias e medos.
Em outra canção escrita por Arnaldo Antunes, a casa surge ora como nossa morada frente ao universo, sendo tão grande quanto o planeta, cabendo rio e mar dentro dela. Ora como sendo nosso próprio corpo, morada móvel e transitória enquanto seres mortais. E nas duas imagens poéticas pode-se sentir o mesmo valor de intimidade, de segurança e de pertenceimento, por isso o refrão afirma que em ambos os pontos de vista, a nossa casa é em todo lugar, pois sempre estamos nela.
“Na nossa casa amor-perfeito é mato
E o teto estrelado também tem luar
A nossa casa até parece um ninho
Vem um passarinho pra nos acordar
Na nossa casa passa um rio no meio
E o nosso leito pode ser o mar
A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar
A nossa casa é de carne e osso
Não precisa esforço para namorar
A nossa casa não é sua nem minha
Não tem campainha pra nos visitar
A nossa casa tem varanda dentro
Tem um pé de vento para respirar
A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar”
Ao final desse capitulo Bachelard fala da imagem da “casa do eremita”. Imagem essa que para ele é primordial, representa o mais profundo estado de meditação e interiorizarão do ser humano. Afinal o eremita é o sujeito que se isola, fugindo ao trato social, com fins contemplativos e espirituais. Em sua cabana ele se fecha ao mundo externo e se abre a seu próprio universo, aceitando inclusive a pobreza de sua morada.
“A cabana do eremita é um tema que dispensa variações. A partir da mais simples evocação, a repercussão fenomenológica apaga as ressonâncias medíocres. A cabana do eremita é uma gravura que sofreria de um excesso de pitoresco. Deve receber sua verdade da intensidade de sua essência, a essência do verbo habitar. Logo, a cabana é a solidão centralizada. Na terra das lendas, não há cabana média. O geógrafo pode bem trazer-nos, de suas longínquas viagens, fotografias de aldeias de cabanas. Nosso passado de lendas transcende tudo o que foi visto, tudo o que vivemos pessoalmente. A imagem nos conduz. Vamos à solidão extrema. O eremita está só diante de Deus. A cabana do eremita é o antítipo do mosteiro. Em torno dessa solidão centrada irradia um universo que medita e ora, um universo fora do universo. A cabana não pode receber a menor riqueza deste mundo. Tem uma feliz intensidade de pobreza. A cabana do eremita é uma gloria da pobreza. De despojamento em despojamento, ela nos dá acesso ao absoluto do refúgio” (Idem, p.49).
Tendo como exemplo interpretativo para a filosofia da poesia de Bachelard essas duas letras de músicas populares brasileiras contemporâneas (sabendo que entre a canção e a poesia existe um laço ancestral de irmandade), fica claro que o filosofo busca entre varias imagens poéticas a possibilidade de encontrar uma espécie de arquétipo junguiano (psicanalista muito citado por Bachelard) que represente os valores ancestrais e inconscientes do verbo habitar, da significação subjetiva e imaginaria da casa, da intimidade profunda que remete ao ser do homem.
Em certa ocasião social, estava eu em uma reunião amigável de conhecidos em um restaurante. Muitas conversas, muitos assuntos, muitas opiniões, piadas, risadas, enfim, um ambiente de descontração. Em determinado momento ouvi de uma pessoa um comentário sobre mim, nada de mais, nada de menos, um comentário despreocupado e despretensioso. De súbito me veio a resposta certa ao tal comentário, em instantes construi na mente todo um argumento que definiria minha postura, minha opinião sobre mim mesmo, que reflete minha opinião sobre todas as outras coisas, quem sou eu, o que é o mundo para mim e em mim. Porém, estranhamente, palavras de minha boca não saíram, a opinião se reteve em pensamento, e no fluxo da conversa a idéia se perdeu na memória das coisas não feitas. Não me expressei por minhas palavras, mas sim por meu silêncio. Mas algo em mim clamou por expressão, algo em mim queria se retratar, mas não o fez. Tudo se deu despercebidamente aos olhos dos que me viam, mas em minha alma algo ressoou fundo, algo invocou minha atenção filosófica, minha consciência concentrou-se.
Me desconcertei, me desencontrei comigo mesmo, me atrapalhei entre o que sou, o que penso que sou e o que desejo ser. Esbarrei desajeitado na alteridade de mim mesmo. E o vazio que ocupa meu Ser se revelou imenso como o não-Ser, ou como o porvir. E mesmo sendo tantos, ainda não há tantos que me ocupem por inteiro. Algo sempre sobra, algo sempre falta. O espaço não cartesiano da intimidade se expande, se dilata, se amplia, me tornando pequeno, me tornando vazio, abrindo em meu peito clareiras e desertos, onde ainda tenho de semear flores se quiser criar jardins.
Qual é afinal a distancia que separa um Ser dele mesmo? Como medir o espaço metafísico entre a sensação, o pensamento e a ação? Sou um conjunto desconjuntado de sensações e pensamentos desconexos, de ações feitas e não feitas, de lembranças e imaginações, de mentiras e falácias em meio a verdades inventadas. Do espaço vago de mim mesmo surge a Angústia, sina macabra dos homens, abismo sinistro no âmago da existência. O que realmente sou, sem o saber, é leve como uma pluma, e passara simples e efêmero como a vida das plantas, mesmo sem eu me dar conta. O que almejo ser, isso sim pesa toneladas de esperança vã e torturante. Queria não mais esperar. Queria simplesmente abraçar o Tempo e destruir a distinção entre mim e meus outros Eus.
Na entrada do café ela corria livre e despreocupada, como se nada no mundo fosse mais importante do que correr e nada pudesse impedi-la de faze-lo. Era ela, em sua prática lúdica e desinteressada, rainha de todo seu universo, como pouco conhece, tudo o que tem já é demais, e assim, correr e saltar lhe pareciam a maior façanha já vista, e ela se deleitava quase em êxtase nesses movimentos tão simples. Parecia desbravar mundos infinitos ao descobrir a força das pernas que produz velocidade e o impulso dos joelhos que lançam o corpo em saltos curtos pelo ar. Descobrir as próprias pernas é como descobrir um novo continente ou mesmo planeta, para quem a pouco viera do Nada, que é o Tudo!
Era apenas uma garotinha de uns 3 ou 4 anos, vigiada de longe pela mãe. Mesmo pequenina parecia chamar a atenção de todos, nem tanto por suas formas graciosas quando por sua infinita e ingênua ousadia e sua alegria pueril, intensa e efêmera, a qual só é possível atingir quando não se carrega lembranças demais ou esperanças a mais, impossível para a maioria dos adultos que estão seguros de mais em seus conceitos petrificados ou amedrontados de mais por sua falta de conceitos. A criança livre das amarras do super-eu controlador e delimitador, corre inconseqüente, e como tudo que é muito livre, beira sempre a própria destruição.
É interessante como a simples imagem de crianças pequenas provocam instantaneamente em espíritos mais sensíveis uma forte sensação de compaixão. A compaixão entendida como uma espécie de identificação intima com o sofrimento alheio, nos dizeres de Schopenhauer. No caso de uma criancinha o que traz a compaixão não é exatamente o sofrimento, mas sim a precariedade da vida que nela se revela, tão intensa e ao mesmo tempo tão frágil. A garotinha corria de uma lado para o outro, por entre as pernas dos passantes, sem nenhuma noção segura de espaço ou tempo, ela simplesmente corria sem parar, sem saber porque ou para que, ela corria e a sensação momentânea a bastava complemente, a pura experiência livre de conhecer o mundo e a si mesma. Ela corria por sobre incertas e pequeninas pernas desajeitadas, o corpo erguido em um instável equilíbrio, cambaleava tortuoso, os movimentos escapavam inteiramente de suas orbitas, e ainda assim ela corria. E a todos que a olhavam era clara a sensação da queda, menos para ela mesma, que corria e corria. A mãe angustiada, tentava para-la, mas o que são palavras de precaução frente a experiência insólita da vida que se apresenta nova e única?! E enfim o que é a queda, se não parte efetiva da condição humana(lembremos o mito bíblico da expulsão do homem do Éden, ou o mito poético de Milton que narra a queda de Lucifer, pai da humanos)?! Como Ser que sai da perfeição do Uno para a incompletudo do particular. Queda e ascensão depois da queda! O projeto falho, mas insistente, de um Deus consciente! Nos esquecemos as vezes, ou fingimos esquecer, que a vida é frágil e incerta, que no fundo estamos sempre correndo em uma corda bamba, tão desamparados quanto uma criancinha, talvez por isso, ao vermos uma, expressamos um leve sorriso no canto da boca. Ela nós lembra a precariedade da vida, mas também nos mostra que mesmo improvável a vida segue em suas possibilidades e impossibilidades, em seus absurdos, em seus milagres.
Toda a correria da jovem caloura da existência, termina com um encontrão em pernas estranhas. A queda, o susto, a dor, o choro, o consolo, o recomeço. Mesmo não sendo mais criança, essa lógica da experiência e do aprendizado ainda me assustam, e as vezes ainda choro! Mas não podemos parar de correr, e ai vale muito a lição do capoeira, que como diz a canção: “se um dia ele cai, cai bem”.
Abro os olhos. E ainda não sei bem se estou acordado ou sonhando. Com a vista embaçada vejo as formas turvas comporem lentamente o ambiente de meu quarto, estante, armário, escrivaninha, computador. Tudo ainda parecia uma pintura impressionista, os raios de luz que entravam por entre as cortinas, dançavam pelos moveis e paredes. Mas por um instante vi sentada em minha poltrona, nas sombras do quarto, uma figura de mulher. Quem era? Uma lembrança, um fantasma, um espectro da TV? Talvez fosse ela, a mulher que habita meus sonhos, que guarda os meus desejos! Só pude ver sua silhueta, esguia, languida, misteriosa. Ela curva a cabeça para frente, aproximando o rosto de um raio de luz. Consigo ver sua boca, lábios de Brigitte Bardot. Ela parece dizer algo, mas não consigo compreender, estou hipnotizado pelo movimento de seus lábios, vividos, carnudos, cheios de fogo e mel. Num piscar de olhos ela some, o devaneio se desfez brusco, sinto o peso da realidade me chacoalhar. Me levantei de supetão pondo-me sentado na cama. Esfrego os olhos para garantir que agora estou acordado, mas ainda sinto a cabeça rondada de sonhos. Apanho um copo de água em cima da escrivaninha, tenho a boca seca. Olho no relógio, marca meio dia, mas parece que por algum motivo ele parou. Deve ter acabado a pilha...
Quando a garrafa começa a apitar, tiro o café do fogo. Encho uma xícara azul até a borda. O cheiro forte do café me invade as narinas e parece se espalhar por meu corpo, sinto meus poros respirarem café. Busco na prateleira um pote de açúcar. Encho bem uma pequena colher, e vou lentamente mergulhando-a no café. Aprecio o branquinho do açúcar se desfazer no negro do café, e os movimentos ondulantes da superfície liquida formarem círculos que se chocam nas bordas da xícara como as ondas do mar nas pedras. Nesse exato momento me lembro instantaneamente, como que se a lembrança fosse invocada pelo movimento, da Liberdade Azul de Kieslowski. E me senti tal como Julie, lembrando de seu olhar melancólico, perdido no tempo, doce e frio. Parecia que o filme voltara a passar em milha frente, bem ali na mesa da cozinha. O torrão de açúcar, branco e puro, o café negro e misterioso, a dissolução, a morte, o nada, o medo, o sublime... Toca o telefone!
Busco na pilha de roupas amontoadas no armário um casaco, o dia esta cinza e chuvoso, preciso ir ao supermercado. Desço o prédio pelo elevador, e ao chegar no térreo, saio e passo por um senhor, ele entra e eu saio do elevador. Por um milésimo de segundo nos cruzamos, e nos entre olhamos estranhos. Seus olhos pareciam me atravessar-me. Murmuro sorumbático um bom dia, mesmo sem ter certeza do horário. Ele não responde. Não sei bem se não me ouviu ou si nem sequer percebeu minha existência. Será que já me tornei um fantasma em vida?! Sombra de mim mesmo?! Na rua caminho ouvindo o piano de Debussy. E ao atravessara as ruas e jardins, observo as vitrines das lojas, vejo as pessoas que caminham apreçadas, e me sinto tal como um flâneur baudelairiano, vagando pelas entranhas da cidade que pulsa vida sem se dar conta disso, um safari urbano na floresta de pedras, um passei contemplativo no museu do cotidiano. As figuras humanas que passam por mim tem semblantes muito diverso. Atravesso uma multidão de ninguéns, almas distantes, separadas como ilhas no oceano infinito dos desencontros. Vidas dispersas, que não percebem o quanto estão unidas pelo avesso. “Quem não sabe povoar sua solidão também não sabe estar só na oculpadíssima multidão”. Tento olhar no fundo dos olhos dos passantes, para ver se é possível num único olhar captar a essência do instante na primeira percepção, e chegar como que por um atalho do cerne da Coisa em Si. Falsa fenomenologia! As pessoas são universos vastos, como o céu e o mar. Em mim mesmo estou cansado de me perder! A música embala meus passos, e as ruas parecem não ter fim...
Entediado com a vida, busco na literatura e no vinho a desculpa para a existência desnecessária. Taça cheia sobre a escrivaninha, velho romance de Dostoiévski nas mãos. E o tempo-espaço se deslocam , expandem e desdobram dentro das paredes do meu quarto. A vida mesquinha e desprezível fica longe, alçado que sou pele literatura a pura consciência que conhece. A cabeça de anjo sem corpo que observa atenta os mínimos detalhes das vidas dos seres humanos, se embolando entre si, dando nós no destino. O vinho liberta e incita a imaginação e o devaneio, sensibiliza o corpo e o espírito para a contemplação apreciativa, entorpece a razão e as convenções enganadoras. E das páginas do livro sorvo vidas que não são minhas, aumentando assim meu próprio viver, agrupando a minhas histórias outras histórias que passam a ser a mesma, mas sempre diferente, sempre reescrita e por escrever. A literatura é um labirinto metafísico que se afasta da vida real no mesmo movimento que se aproxima dela. Tiro os olhos do livro e pela janela miro ao longe as pessoas que passam. Parecem elas menos reais do que as do livro, ao longe parecem corpos mecânico sem vida, pré-programadas. É no microscópio da literatura que o homem se abre se revela e se desdobra em mil espaços sem fim...
Cai a chuva lá fora. O som das gotas massageia meus ouvidos. Sentado na poltrona me masturbo lentamente. A garrafa de vinho acabou e sinto meu corpo aquecido por dentro, como se o vinho ascendesse a lareira da alma. Me lembro do Foucault falando sobre o onanismo no século XVIII. O poder perpassando as forças do prazer, do corpo, do sexo, da vida. Afinal eu poderia ser um lunático ou contraventor, realmente de perto ninguém e normal, nisso ele concordava com o Caetano. Mas no fundo mesmo, o onanismo é o símbolo da auto-suficiência e do amor próprio. Em pensamentos busco ela, a que não sei o nome, a figura distante dos meus sonhos, a musa moribunda e ideal dos poemas românticos, os lábios de Brigitte Bardot, as mulheres que já tive e as que nunca terei. Deliro, derreto na poltrona, não há mais antes nem depois, o tempo se fundiu as coisas, enfim se tornou a pele quente e macia das coisas, pulsando e escorrendo pelo espaço. Me esvaio em prezares mórbidos e já não anseio por nenhuma ação, fato ou acontecimento. Chama-me o não-Ser, a total inércia, a eternidade. A Terra parou e somente eu posso faze-la se mover com meu mover, mas não quero. Me estendo no espaço e acendo um cigarro... Tocam a campainha! Deve ser o porteiro trazendo a corresponderia. Que me importa! Não espero mais nada de ninguém, nem vou atender...
Ele consumira o primeiro grama ainda em casa, no banheiro, depois do banho, enquanto se encarava no espelho e repetia para si mesmo, como uma forma de aumentar sua convicção, que esse ano ninguém iria faze-lo de palhaço na frente da família. Vestira seu melhor terno, o que sua mulher lhe dera para os eventos sociais de fim de ano .Ela dizia que já não suportava mais ser vista pela família dele como uma suburbana emergente e sem classe, que não cuida bem do marido. Que por isso, agora fazia questão de desfilar com tudo do bom e do melhor que haviam conquistado, roupas, jóias, perfumes, mesmo que fosse só mentira. Aquelas bruacas fofoqueiras, dizia ela sobre as noras, iam ter que engolir a seco seu próprio veneno. E para completar o espírito natalino, havia comprado ótimos e caros presentes para mostrar a sua infinita generosidade a aquelas pessoas que ela sabia que não gostavam dela.
A mulher de Ronaldo, Ines, carrega desde o casamento uma magoa enorme das noras e da sogra que fizeram de tudo para Ronaldo desistir, afirmando que ela não tinhas os dotes corretos para uma boa dona de casa, que não era uma mulher carinhosa para formar uma família feliz. Desde então se refere secretamente a elas como conspiradoras de brinco de pérolas, quando está somente na presença do marido. Por esse e outros motivos, envolvendo outras intrigas de festas natalinas passadas, para Ines é imperdoável nessa data tão bonita, demostrar qualquer tipo de fraqueza, dúvida, medo ou necessidades perto da gente da família de Ronaldo. A única missão dela nesse evento é mostrar como foi capaz de formar uma boa família, e o quanto é feliz. E para isso vale de tudo. Até dividir em cinco vezes um terno caro para o marido, e em oito vezes um colar e brincos para ela.
Ronaldo, a mulher e as filhas chegam a casa do patriarca da família para a ceia de natal. O clima é sempre o mesmo, afabilidade falsas, elogios exagerados e risadas forçadas, tudo para disfarçar a natural tensão viva e pulsante no ambiente. Pois a família Braga era também uma empresa, e por isso os irmão eram também sócios. Ronaldo por sua vez sempre achava que os irmãos mais novos tramavam para tirar-lhe parte da empresa, para roubar-lhe parte dos lucros. Esses fizeram faculdade na área de economia e administração, enquanto Ronaldo aprendera tudo sobre negócios com o pai e na prática, sem diploma nem nada. E apesar de se saber competente, sempre se sentia inferiorizado pelo falta do tal diploma, e sabia que os irmãos adoravam coloca-lo em situações constrangedoras frente ao pai, utilizando conceitos e jargões que ele desconhecia. Ver os irmãos explicarem ao pai, como doutores que eram, sobre as atuais condições econômicas do Brasil, e falar sobre os investimentos na bolsa de valores, acendia em seu peito a inveja, que lhe ardia as entranhas.
As mesas postas no jardim lateral da casa acomodavam os convidados, entre elas os garçons serviam bebidas e tira gostos antes da ceia. O pai e a mãe de Ronaldo eram pessoas simples, vindas do interior e já muito idosas para se preocuparem com requinte e luxo, mas para os irmãos e noras, isso era indispensável, o raciocino é mais ou menos o mesmo que o de Ines. Ronaldo transitava entre os diferentes núcleos da família para se mostrar presente, portando um grande copo de whisky, que lhe servia de apoio, uma espécie de lubrificante social, um objeto fetiche. Participava ativamente com todo tipo de opinião e observação exdrúxula nas conversas maçantes dos parentes que só via uma vez por ano. Com os irmãos falava de negócios, uma conversa cansativa e exagerada, com gritos e gargalhadas, repleta de subtextos, induções, frases dúbias, acusações brincalhonas e ironias afiadas. Ronaldo sabia que cada evento familiar como o natal, era no fundo uma batalha cruel pelos elogios do patriarca da família, que não só deu-lhes a vida, como de uma forma ou de outra era o responsável por mante-la até os dias de hoje, afinal cada filho só tinha seu ganha pão por conta da empresa do velho. Ronaldo se incomodava com as máscaras, a dele não lhe caia bem, se sentia sempre na emergência de ser descoberto, acusado de falsário, corrupto, mentiroso, sovina. A tensão o sufocava, sabia bem que qualquer palavra mal calculada poderia criar desconforto, gerar fofocas ou mesmo discussões, como já acontecera em natais passados.
Há três anos atrás, ele discutira feio com um dos irmãos, Cláudio, e quase que tudo acaba em barraco. A discussão começou de forma fútil, por um maço de cigarros, mas terminara em acusações e insultos. Se não fosse a bronca do pai, talvez até saísse na mão com irmão. Em outro natal ainda mais antigo, mas marcado na memória, sua esposa se ofendera com uma piadinha feita por sua mãe, e o natal terminará mais cedo. Ines enfurecida simplesmente recolheu as crianças puxou-o pelo casaco e se retirou bruscamente antes da ceia ser posta. Muita, paciência, tempo e hipocrisia foram necessárias para se criar essa película frágil de aparente confortabilidade e paz no natal.
Ines depois de misturar vinho tinto e calmantes, mantinha uma cara de paisagem e um sorriso frouxo em quanto ouvia as noras contarem vantagens de suas viagens internacionais. E ora ou outra se enchia de entusiasmos para contar algumas pequenas mentiras sobre sua profissão ou de forma distraída degradar algum aspecto das histórias das outras. Já Ronaldo se botava inquieto, nervoso, as vezes ouvia alguns tipos de comentários que o faziam delirar de ódio por dentro, não suportava a arrogância dos irmão e as patetices de sua esposas tagarelas e fúteis. O olhar do pai, sempre reprovador, ele trazia da infância, evitava qualquer confronto com o velho, sabia que frente a família qualquer discordância com ele poderia esmagar sua moral, e nenhum argumento seu, por mais racional que fosse seria considerado. Ele não teria chance, seria humilhado, por isso deveria evitar qualquer tipo de embate. Toda essa situação lhe desconfortava, ele bebia, fumava um cigarro após o outro. Sorria sem graça, por dentro irado, com os comentários insistentes da mãe e das tias sobre sua compulsão com a nicotina, o cheiro ruim que deixa no seu cabelo, problema do câncer, e o mal que pode fazer as crianças. Sempre infantilizado como se fosse incapaz de tomar decisões coerentes. As vezes até fingia que não era com ele para não dar uma boa resposta. Mas o que mais lhe incomodava esse ano, eram os comentários maldosos as piadinhas ácidas, que lembravam um calote que ele tomou na compra de um terreno, e que lhe deu um prejuízo considerável, fora a vergonha de servir como exemplo de trouxa no mundo dos negócios. Cada vez que ouvia uma dessas piadas sentia o suor escorrer-lhe da testa, e em sua cabeça imagens de violência brotavam como em um filme de ação. Quanto sentia os joelhos tremerem, disfarçadamente ia ao banheiro, e pelo nariz tragava mais um grama posta na chave do carro. Mesmo inibido tentava de todas as formas ser sociável e se fazer ouvir.
A ceia é posta, e inicia-se a comilança desenfreada, a abundância da comida é pura excentricidade, e o desperdício fenomenal. Em poucas horas a noite termina em uma estranha normalidade, presentes são entregues, cumprimentos de feliz natal ecoam pela noite, e reina a "pax romana" na casa. Ronaldo volta a seu apartamento. Sua mulher deitasse meio bêbada, com cara de quem ficou satisfeita com a bela execução da farsa, o figurino preparado para sua família e o cumprimento de seu papel de boa mãe e esposa contente. Ronaldo inquieto e angustiado, sem sono passa a noite assistindo o canal de compras, assombrado por estranhos fantasmas de sua má consciência.
Na manhã seguinte acorda assustado, depois de dormir poucas horas um sono desassossegado, com os gritos insistentes de sua mulher reclamando que estavam atrasados. Sabe bem que quando a ceia é na casa de sua família, o almoço do dia seguinte tem de ser na casa da família da mulher. Ele então descontente, mas conformado se prepara como sempre, cheirando na pia do banheiro, depois do banho, para mais uma etapa do natal feliz de sua família. E olhando fixo para o espelho, ironicamente cumprimenta-se dizendo; "feliz natal Ronaldo"!
“Dai, no fim da minha vida, esta cinza que me cobre... Este desejo obscuro, amargo, anárquico de me esconder, mudar o ser, não ser, sumir, desaparecer, e reaparecer numa anonima criatura sem compromisso de classe, de família.” (Cora Coralina)
“É no azul que se encontra esta profundidade e, de maneira teórica, jé em seu movimento: 1° - movimento distanciamento do homem; 2° - movimento dirigido para seu próprio centro. O mesmo ocorre quando se deixa o azul agir sobre a alma. A tendência do azul para o aprofundamento torna-o precisamente mais intenso nos tons mais profundos e acentua sua ação interior. O azul profundo atrai o homem para o infinito, desperta nele o desejo de pureza e uma sede de sobrenatural. É a cor do céu tal como se nos apresenta desde o instante em que ouvimos a palavra céu” (Kandisky)
“A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança”. (Oswald de Andrade – Manifesto da Poesia Pau Brasil)
"Se Deus existe, então toda vontade é Dele, e fora da vontade Dele nada posso. Se não existe, então toda vontade é minha e sou obrigado a proclamar o arbítrio". (Dostoiévski- Os Demônios)
"...nada no mundo o impedirá de ver, de recolher e reconhecer a Verdade da míseria do mundo. Da miséria dos homens. O intelectual verdadeiro, por tudo isso, sempre há de ser um homem revoltado e um revolucionário, pessimísta, cético e cínico: um fora da lei. (Mario de Andrade)
"Consideramos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela". (Epicuro)
"“E longos carros fúnebres sem música nem tambor, Desfilam lentamente na minha alma; a Esperança inteira, Vencida, chora; a Angústia atroz desfralda a dor E despótica implanta no meu crânio a sua negra bandeira.” (Charles Baudelaire)
"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte." (João Cabral de Melo Neto)
“Minha condição é muito pequena. Sinto-me constrangida(...)O meu descompasso com o mundo chega a ser cômico de tão grande. Não consigo acertar o passo com ele. Já tentei me pôr a par do mundo, e ficou apenas engraçado: uma de minhas pernas sempre curta demais. O paradoxo é que minha condição de manca é também alegre porque faz parte dessa condição(...) A condição não se cura, mas o medo da condição é curável.” (Clarice Lispector)
"O que se pode prometer - Pode-se prometer atos, mas não sentimentos; pois estes são involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou sempre odiá-lo ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas ele pode prometer aqueles atos que normalmente são consequência do amor, do ódio, da fidelidade, mas também podem nascer de outros motivos: pois caminhos e motivos diversos conduzem a um ato. a promessa de sempre amar alguém significa, portanto: esquanto eu te amar, demostrarei com atos o meu amor; se eu não mais te amar, continuarei praticando esses mesmos atos, ainda que por outros motivos: de modo que na cabeça de nossos semelhantes permanece a ilusão de que o amor é imutável e sempre o mesmo." (Nietzsche)
"Reconheço hoje que falhei; só pasmo,às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos...Era lúcido e triste como um dia frio." (Bernardo Soares)
" A cidade não pára a cidade só cresce o de cima sobe e o de baixo desce" ( Chico Science)
"Os mesmos fatores que assim redundaram na exatidão e precisão minuciosa da forma de vida redundante também em uma estrutura na mais alta impessoalidade; por outro lado, promoveram uma subjetividade altamente pessoal. Não há talvez fenômeno psíquico que tenha sido tão incondicionalmente reservado à metrópole quanto a atitude blasé" (George Simmel).
" A língua lambe as pétalas vermelhas da rosa pluriaberta; a língua lavra certo oculto botão, e vai tecendo lépidas variações de leves ritmos. E lambelonga, lambelenta, a licorina gruta cabeluda, e , quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu, entre gemidos, entre gritos, balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos". (Carlos Drummond de Andrade)
"Sobre as constantes divagações provocadas pelo haxixe: antes de mais nada, a incapacidade de ouvir. Por mais que ela aparentemente contrarie aquela infinita condescendência para com os outros, são coisas que estão na verdade profundamente imbricadas. Basta que o parceiro abra a boca para que ele nos inspire uma decepção sem limites. O ele diz soa muito aquém de tudo o que, se ele se calasse, nós lhe atribuiríamos de bom grado. Ele nos decepciona dolorosamente ao desconsiderar aquilo que, no transe do haxixe, constitui o foco de atenção por excelência: nós mesmos." (Walter Benjamin)
"Sem contrários não há progresso. Atração e Repulsão, Razão e Energia, amor e Ódio são necessários à existência Humana. Desses contrários saem o que os religiosos chamam Bem e Mal. O Bem é passivo que obedece à Razão. O Mal é o ativo que vem da Energia. O Bem é o Céu. O Mal é o Inferno." (Blake)
"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo". (Foucault)
" Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada". (Clarice Lispector)
" Não, não é cansaço...É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Com tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais" (Álvaro de Campos)
"Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é o mesmo e nós também não" (Heraclito de Éfeso)
"A tentativa de implantação da cultura européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas idéias, e timbarndo em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra." (Sérgio Buarque de Holanda)
“Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode” (Sartre)
“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que a explique e ninguém que não entenda.”(Cecília Meireles)
"Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos."(Marx)
"O que é o ser eterno que nunca nasce? Como é aquele que nasce sempre e que nunca existiu?" (Platão)
"Zombar da filosofia é verdadiramente filosofar" (Pascal)
" As vicissitudes de nossa vida semelhan as figuras do caledoscópio: sempre que o fazemos girar, vemos algo diverso, mas na realidade o que temos diante dos olhos é sempre a mesma coisa." (Schopenhauer)
A Força
-
"A ação perfeita é devoção". Li em algum livro de ocultismo da Helena
Blavastky, e nunca me esqueci, no meu coração sentia que era a mais pura
verdade. Des...