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domingo, 11 de março de 2012


Enquanto o suicida tenta justifica o fim da própria vida, a grama ao seu redor cresce pelas brechas da calçada, e mesmo na sujeira embaixo de sua unha, a vida insiste em proliferar injustificável.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

                                                                                 (Fotografia de Ninguém)
Ergo os olhos e contemplo triste a beleza intangível da Lua, mãe da noite tenebrosa, em sua indiferença luminosa das alturas. Nossas Solidões se encaram, se medem, se identificam, se cumprimentam e se despedem, sabendo ambas serem indeléveis ao tempo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Domingo

No intervalo entre os ponteiros do relógio, o tempo estendido, o dia passa lento em tons de eternidade. A manhã que desperta sonolenta, a tarde morna e preguiçosa, a noite triste e silenciosa. Tudo novo de novo e eu...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Devemos parar de sobreviver como quem vive apenas, e passar a Sobreviver como quem sobrepõe-se a vida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quem puder cantar ao longo da marcha da morte, sempre viverá para mais uma canção...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O interiorano

O homem do interior é aquele que busca no interiro (o seu ou  de seu país) as raízes de um passado que é presente e futuro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Do movimento das nuvens ou da leveza que pesa

                                                                                                 (Estudo das nuvens, John Constable, pintura)


A nuvens marcham lentamente, avançando sobre os raios do  sol. E seus corpos de leveza lançam na Terra as sombras do tempo que pesam no coração.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Se por um instante eu pudesse abolir as divisas do tempo-espaço, perguntaria a meu Eu de ontem o que será do amanhã; e a meu Eu do amanhã o que foi o ontem; assim faria o hoje.

domingo, 20 de novembro de 2011

Há dois tipos de ilusão na existência humana; uma que aprisiona a vida e a outra que ajuda a suportá-la.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O oco do mundo ecoa no fundo, no fundo de mim... E os ecos do tempo, vazio como o mundo, pungente e profundo habitam o por vir.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

                                                           (Maria Bonomi - Sappho I)

Se a morte lhe apavora, canta a Morte, torna-a poesia . Assim o tabu vira totem, e do supremo mal extrai-se a Beleza, que regenera toda a existência incontornável.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A soma da finitude do indivíduo com a eternidade do Ser, gera o sagrado Sim, que afirma tudo que é bom e que é ruim.



domingo, 10 de julho de 2011

Não quero o Amor como uma conquista, mas como uma  inevitabilidade.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A vida e feita de escolhas, umas são boas outras ruins, mas no fundo são todas sempre erradas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A verdadeira filosofia busca o cru da vida mas não se contenta com ele

     A filosofia moderna ocidental no auge de seu pensamento racional, que traz uma fria lucidez, encontrou seu extremo oposto e complementar, o irracional. Em sua busca pela essência da vida, a filosofia descobriu que a existência humana, fora a parte originalmente animal,  é repleta de mentiras, farsas, ilusões, representações, que mesmo surgindo do contato direto com os fenômenos da realidade nunca poderá captura-la ou explica-la complemente. A consciência humana, nosso principal instrumento de sobrevivência ante a Natureza, tem como maior força sua capacidade de dissimulação e de invenção, ela é para nós como os chifres do touro ou as garras do leão. Assim sendo,  fundamentalmente a humanidade independente do contexto social, histórico e cultural, nunca passou de um grande formigueiro frente ao universo. Somos meros pedaços de carne boiando no caos, micro organismos astutos que sobrevivem mesmo na constante imanência da sublevação das forças da Natureza, que em um suspiro pode nos destruir, apesar das ilusões de controle e soberania que o alto desenvolvimento tecnológico tem nos provocado nos últimos tempos. A existência humana é portanto, gratuita, inútil e complemente desprovida de objetivo ou valores próprios. Um dos filósofos mais intempestivos da história do ocidente afirma em um aforismo que, o erro  acerca da vida é necessário à vida, assim  diz ele: “Toda crença no valor e na dignidade da vida se baseia num pensar inexato; é possível somente porque a empatia com a vida e o sofrimento universais da humanidade é pouco desenvolvido no indivíduo(...) Quem sabe ter em mira sobretudo as exceções, quero dizer, os talentos superiores e as almas puras, quem toma o seu surgimento como objetivo de toda a evolução do mundo e se alegra com seu agir, pode acreditar no valor da vida, porque não enxerga os outros homens; portanto, pensa inexatamente. Do mesmo modo  quem considera todos os homens, mas neles admite apenas um gênero de impulsos, os menos egoístas, desculpando os homens no que toca aos outros impulsos: pode também esperar alguma coisa da humanidade como um todo, e assim acreditar no valor da vida: portanto, também nesse caso por inexatidão do pensar(...) pois no conjunto a humanidade não tem destino nenhum, e por isso, considerando todo o seu percurso, o homem não pode nela encontrar consolo e apoio , mas sim desespero.  Se ele vê, em tudo o que faz, a falta de objetivo último dos homens, seu próprio agir assume a seus olhos caráter de desperdício” (Nietzsche). Esse em fim, é o cru da vida!
    O rumo tomado por essa forma de pensar pode levar homens lúcidos demais ao desespero, ao niilismo e a mais profunda melancolia, o desperdício de suas ações é inaceitável a sua sensibilidade. E ai que a filosofia inconformada com os resultados do pensamento racional, ultrapassa suas barreiras, alia-se ao devaneio e ao sonho,  fundindo-se a poesia, não mais contendo-se ao exercício especulativo e tornando-se ato criador . Só ai que a vida, esse fenômeno efêmero e vazio, pode vir a ganhar algum valor, ético, estético e poético, tornando-nos pouco mais que bichos, pouco menos que deuses, somos Humanos, e a vida é nossa criação, nossa arte, nosso jogo, nosso brinquedo. E parafraseando o filósofo já citado, digo que a arte serve para tornar a vida suportável, pois a sensibilidade humana não pode concordar sem protestos com o terrível e avassalador destino dos seres.
 

terça-feira, 13 de julho de 2010

O lugar da Arte

Convenço-me não sem duvidar, de que a Arte é a única coisa que pode preencher o imenso vazio que sinto em meu peito. Vazio esse que nasce dos primórdios da origem do Desejo. A Arte em seu sentido metafísico, diretamente ligado a condição humana, aliada da consciência em sua missão de dissimular a vida, e ao mesmo tempo da inconsciência em sua missão de guardar os mistérios da vida.  Somente ela pode realmente acalentar  meu coração, aquecer minha alma e incitar-me a mover, a fazer, a criar. A dar valor as coisas externas por saber que no fundo as coisas em si não tem valor nenhum, que a vida, esse presente grandioso e irônico dos Deuses, é na verdade gratuita e inútil. E só resta sonhar, cultivar ilusões, que  nunca são totalmente falsas, pois sempre carregam um dose de verdade e realidade. A arte que externaliza o interno e internaliza o externo em um constante processo dialético entre o indivíduo e seu mundo, transformando  para o homem o universo estranho e hostil, em  seu infinito particular. A Arte antídoto contra o Desespero, manto da beleza que cobre o horror da Morte, palavra iluminada contra a escuridão do Nada. Assim entendo a Arte, e como diz o poeta; “a Arte que alivia da vida sem aliviar de viver”.
    Cabe a um homem sóbrio dedicar-se a uma atividade inútil, e sabendo-a inútil pratica-la com amor e sem pesar, como se nada mais importasse (e não importa!). Nisso consiste a saga do artista, seja qual for sua arte, cientista ou pintor, agricultor, pedreiro ou operário, gênio, louco ou comum, pois no fundo toda atividade essencialmente humana é a principio artística, porque tudo que se faz com Verdade se faz com Arte, e a verdade é a arte de bem mentir.
     Assim sendo, porque não enganar-me?  Fazendo da minha vida uma pintura, opera ou filme, onde eu finja ser grande poeta, e tal como um ator esquizofrênico que entalha as próprias máscaras, representar a tragédia de minha existência, mesmo que eu seja o único espectador solitário de mim mesmo, mesmo que minhas palavras nunca saiam desse quarto, nunca encontrem a luz do sol da realidade, nunca soem aos ouvidos de gente.  Queria que todo o meu Medo, Solidão, Angustia e Melancolia, explodisse em Beleza eterna e vingadora!